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A Amazon vai permitir aos seus clientes trocarem seus CDs usados por vale-compras.
A Amazon estreou um programa que vai permitir aos seus clientes trocarem seus CDs usados por vale-compras.
O programa, chamado Music Trade-in, pré-determina o valor de troca para os CDs. Em seguida, o usuário imprime uma etiqueta do disco e o envia para a Amazon (o frete é pago pela empresa), que pode ou não aceitar o produto. Em caso positivo, créditos de compra são depositados na conta do cliente.
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Os valores pagos pela Amazon nos CDs variam entre cerca de dois e cinco dólares. O programa Trade-in já funcionava antes para produtos como filmes, livros, jogos, eletrônicos etc.
Por anos, a venda de CDs foi um dos negócios mais lucrativos da Amazon. Agora, a empresa decidiu fazer o caminho inverso a fim de estimular a venda de outros produtos.
Chegada ao Brasil
De acordo com rumores, a Amazon deve iniciar sua operação de comércio eletrônico no Brasil no próximo mês de setembro.
Inicialmente, a loja nacional da Amazon deve comercializar apenas produtos que possam ser entregues via Correios, como livros, DVDs, CDs, jogos e softwares. No momento, a empresa estaria à procura de um centro de distribuição em São Paulo.
Em dezembro do ano passado, a Amazon iniciou a oferta de seu serviço de computação em nuvem no Brasil e na América do Sul. Gol Linhas Aéreas, Peixe Urbano e R7 são algumas das empresas que utilizam o serviço.
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Mercado Livre X Amazon - briga de Titans
A empresa de comércio eletrônico MercadoLivre prevê uma aceleração dos investimentos e da concorrência nos próximos anos na região, devido à chegada de novos atores globais, disse o vice-presidente operacional da companhia, Stelleo Tolda.
A América Latina, com um sólido crescimento econômico e rápida expansão da Internet, está atraindo empresas globais de tecnologia, como o site de compras coletivas Groupon e o de filmes online Netflix. Segundo a imprensa brasileira, a gigante norte-americana Amazon.com pretende desembarcar neste ano no país, maior mercado da região.
"Há mais atenção para a América Latina. A região não tinha historicamente uma posição destacada no jogo global, mas isso tende a mudar, particularmente liderado pelo Brasil", disse Tolda à Reuters em São Paulo. "Essa combinação de um mercado grande com forte crescimento sem dúvida atrai players globais. É de se esperar mais investimentos, mais concorrência e um maior nível de exigência do consumidor com relação ao que ele espera das empresas de tecnologia."
O comércio eletrônico na América Latina cresce a uma média de 27 por cento ao ano, segundo a consultoria norte-americana IDC. O Brasil concentra 60 por cento das transações latino-americanas pela internet, seguido por México (12%), Chile (5%), Argentina, Venezuela (4% cada) e Colômbia (2%), segundo estudo da Visa e da América Economia.
Os principais motores do comércio eletrônico são o aumento da penetração da internet, o surgimento de uma classe média emergente e a agressiva expansão do uso de smartphones.
O MercadoLivre, que domina o mercado regional com 65,8 milhões de usuários registrados no final de 2011, disse não se sentir pressionado com a chegada de rivais como a Amazon.com. "Não nos guiamos nem alteramos nossa estratégia por causa de um competidor ou outro", disse Tolda. "O mundo do comércio eletrônico é um mundo já globalizado, e os desafios que temos são maiores que no passado."
A empresa divulgou em fevereiro que teve um lucro de US$ 76,8 milhões em 2011, crescimento de 37% em relação ao ano anterior. E, segundo o executivo, a intenção é não tirar o pé do acelerador.
"Esperamos crescer tanto quanto for o crescimento do comércio eletrônico na região neste ano. A expectativa é em torno de 30%." Uma pesquisa publicada na quarta-feira indica que o MercadoLivre está se transformando em uma plataforma para vendedores profissionais. O estudo da consultoria Nielsen revelou que cerca de 134 mil pessoas na América Latina vivem de negócios fechados pelo MercadoLivre.
"Eles representam um percentual baixo do total, mas movimentam quase metade do volume de negócios realizados no site", disse Tolda.
No segundo semestre de 2012 a Amazon desembarca no Brasil.
O empresário americano Jeff Bezos, fundador da gigante do comércio eletrônico Amazon, sonha em fincar bandeira em dois locais inexplorados até aqui por suas empresas. “Quero ir à Lua. E ao Brasil”, tem dito ele aos interlocutores próximos. Se não chega a ser um mantra, essa é uma frase que ele tem repetido com frequência nos corredores do quartel-general da companhia, na chuvosa e fria Seattle, nos Estados Unidos. A primeira ambição ainda está longe de ser realizada, apesar de Bezos ter criado há 12 anos a Blue Origin, companhia que tem o apoio da Nasa e pretende oferecer viagens turísticas espaciais. O segundo desejo de Bezos, no entanto, está perto de acontecer. No segundo semestre de 2012, a Amazon desembarca no Brasil.
Jeff Bezos, CEO da Amazon: "Quero ir à lua. E ao Brasil"
O Dia D do desembarque da Amazon por aqui, segundo fontes ouvidas pela DINHEIRO, ainda não foi definido. Ela chegará para disputar o comércio eletrônico, que movimentou R$ 20 bilhões em 2011 e deve dobrar de tamanho nos próximos quatro anos. O primeiro alvo de Bezos é o setor de livros, que vendeu cerca de R$ 4,5 bilhões em 2010. Mais adiante, o plano da Amazon é investir, paulatinamente, no Brasil, em todos os outros 131 segmentos em que atua nos Estados Unidos. Ou seja, nada será como antes após a entrada da Amazon – um colosso que faturou US$ 48 bilhões no ano passado – no promissor setor de comércio eletrônico brasileiro. O escolhido para orientar os primeiros passos da Amazon no País é o engenheiro eletrônico Mauro Widman, 42 anos.
O construtor: a Amazon tirou Mauro Widman da Livraria Cultura para iniciar sua operação no País.
Contratado em dezembro por Bezos, Widman começou como técnico de informática na Livraria Cultura, na capital paulista, nos anos 1990. Nos últimos tempos, foi responsável por montar o sistema de vendas de livros digitais (e-books) da rede fundada pelo empresário Pedro Herz. O convite da Amazon foi, obviamente, irrecusável. “Disse ao Mauro que, se estivesse em seu lugar, aceitaria a proposta”, afirma Fábio Herz, sócio-diretor da empresa e filho de Pedro. Segundo um amigo comum, eles mantêm um bom relacionamento. Mas, desde que assumiu o comando da Amazon no Brasil, Widman passou a seguir o estilo de poucas palavras dos funcionários da companhia americana. “Ele mal fala com a família sobre o novo emprego desde que foi aos Estados Unidos receber treinamento para ocupar o cargo”, afirma seu pai, o médico Azzo Widman.
O silêncio do executivo se justifica por dois motivos. A Amazon, assim com a Apple, é reconhecida como uma empresa fechada, nas quais os segredos são ciosamente guardados. Tanto que, ao ser contratado, a primeira recomendação que um funcionário recebe é agir com discrição. A segunda razão é que não tem sido fácil a negociação com as editoras brasileiras. A meta de Widman era estrear o site da Amazon no Brasil em abril deste ano, com acordos assinados com 100 editoras. Até agora, fechou com apenas 10 selos – sendo apenas um deles de uma grande editora. O entrave para a rápida entrada responde pelo nome de Livraria Saraiva. Segundo fontes ouvidas pela DINHEIRO, a empresa, dona da maior rede de livrarias do País, com 102 pontos de venda, estaria usando seu poder de barganha junto às editoras locais para dificultar a chegada da americana.
Executivos do setor dizem que a Saraiva não esconde o seu descontentamento com as negociações de seus fornecedores com a Amazon. Um deles, que pediu para não ser identificado com medo de sofrer represália, tem aproximadamente 50% de seu faturamento advindo das vendas pela Saraiva e recusou contrato com a Amazon. “Eles ameaçaram colocar nossos livros nas prateleiras obscuras do fundo das lojas”, diz o executivo. “Seria um forte baque para o nosso negócio.” O CEO da Saraiva, Marcílio Pousada, nega que esteja fazendo esse tipo de pressão. “Jamais falaríamos isso”, afirma. “Temos 97 anos de relacionamento com as editoras.” Para Pousada, os “burburinhos” são normais com a chegada de um novo competidor ao mercado.
Especialmente a Amazon, que tem potencial para abalar todo o mercado de comércio pela internet, não apenas o de livros. Nos Estados Unidos, a Amazon vende de tudo, inclusive eletrodomésticos e eletrônicos.Os contratempos têm irritado a empresa de Jeff Bezos, que tem fama de rancoroso, de não levar desaforo para casa e de usar de um forte arsenal para ultrapassar as dificuldades. Há indícios de que Bezos jogará pesado para conquistar o mercado brasileiro. O diretor da Amazon para a América Latina, Pedro Huerta, que iniciou as conversas com as editoras no ano passado, esteve em São Paulo no começo deste mês. Sua missão era coletar informações com as editoras sobre as supostas tentativas de melar a vinda da Amazon.
Huerta irá aos Estados Unidos nesta semana para levar a Bezos algumas propostas de ação no País. Uma ideia é entrar com uma ação contra a Saraiva no Cade, órgão de defesa da concorrência. Outra hipótese é ir além do e-book e entrar de sola na venda de livros de papel. Isso tranquilizaria as editoras que temem as represálias da Saraiva, segundo uma fonte a par das negociações. A Amazon negou os insistentes pedidos de entrevista feitos pela DINHEIRO nas últimas duas semanas. Por telefone, Widman limitou-se a dizer, laconicamente, que a empresa está “fazendo progressos” e se negou a dar maiores detalhes. É consenso entre as editoras que o livro digital será o principal trunfo da Amazon nessa primeira etapa.
Sua intenção é vender mais barato o leitor de livros digitais Kindle, com preços na faixa entre R$ 149 e R$ 199. Esse patamar causaria uma “ruptura” no mercado brasileiro, que até agora só registrou fracassos nesse segmento, afirma Luciano Crippa, analista da consultoria americana de tecnologia IDC. Entre as tentativas que não decolaram por aqui figuram o Alfa, da Positivo, e o Cool-er, importado pela Gato Sabido, primeira livraria virtual do País. Todos custavam acima de R$ 600, próximo dos tablets, que oferece ainda navegação na internet, games e outros serviços. A própria CBL (Câmara Brasileira do Livro) admite que o alto custo dos leitores travou o mercado no País. “O Alfa é um produto de nicho”, diz Hélio Rotenberg, presidente da Positivo Informática.
Mercado de nicho: Hélio Rotenberg, da Positivo, diz que está satisfeito com o e-book Alfa.
“Estamos satisfeitos com o resultado.” O fundador do Gato Sabido, Duda Ernanny, admite que o Cool-er foi um fiasco, embora ressalve que aprendeu muito com a experiência. No preço pretendido pela Amazon, o Kindle não teria concorrente à altura. Para chegar a esse patamar, no entanto, a Amazon terá de fabricar o aparelho por aqui ou conseguir a isenção do imposto de importação. Outra opção será vender o aparelho com prejuízo, obtendo lucro com o conteúdo, estratégia já utilizada pela empresa em outros momentos nos Estados Unidos. O mercado de livros digitais engatinha no Brasil. O maior best seller de e-books foi Steve Jobs, de Walter Isaacson, lançado pela Companhia das Letras. A biografia do fundador da Apple teve pífios seis mil downloads.
Livraria Martins Fontes, em SP: o mercado brasileiro de livros faturou R$ 4,5 bilhöes em 2010.
Na versão impressa, o livro vendeu 200 mil unidades. A chegada da Amazon pode significar uma mudança nesse cenário. Quando lançou o Kindle nos Estados Unidos, em novembro de 2007, o mercado de e-books americano era nanico. Hoje, a Amazon vende mais livros digitais do que físicos. Segundo a Associação Americana de Livros, as vendas de e-books cresceram 117% em 2011. Um dos receios das redes de livrarias, assim como das editoras brasileiras, é de que a Amazon reproduza por aqui o que está fazendo nos Estados Unidos, onde passou a atuar também como uma editora. “Fizemos isso por um motivo: melhorar os preços”, declarou Bezos, em entrevista à revista americana Wired. Ele também briga para controlar os preços.
Assim como a Apple, que dominou a indústria de música e vídeo e tem o poder de fixar os preços, a Amazon bate o pé em controlar o valor dos e-books. Bezos acredita que os consumidores dificilmente aceitariam pagar mais do que US$ 9,99 por uma versão digital de um livro. As editoras de lá, como as de cá, é claro que discordam. “Será o beijo da morte da indústria editorial brasileira”, diz Ruy Castro, autor de campeões de venda como O anjo pornográfico e Estrela solitária: um brasileiro chamado Garrincha. O jornalista e escritor, no entanto, diz estar disposto a digitalizar seus livros se lhe for pedido. Apesar de alegarem que estão sofrendo pressões da Saraiva para não fechar com a Amazon, as editoras também reclamam das cláusulas contratuais apresentadas pela empresa de Bezos.
Escritor temeroso: "O livro digital é o beijo da morte para as editoras", diz Ruy Castro.
Algumas são consideradas draconianas: acesso a todo o catálogo da editora para a digitalização, compromisso de que todos os livros também serão lançados de forma digital, pedidos de exclusividade e comissões estratosféricas, na casa dos 50% do preço de capa. O mercado brasileiro está acostumado com um percentual de 35%. Nas últimas versões do contrato, a Amazon reduziu a comissão. Além disso, os contratos entre livrarias e editoras, no Brasil, geralmente são de uma página. Os da Amazon chegam a ter mais de 20, um calhamaço para estes tempos de Twitter. “Aqui no Brasil a gente assina e depois vê no que dá”, afirma José Luiz Próspero, presidente da editora Saraiva, que tem operações separadas da livraria homônima. Para não ficarem reféns da Amazon, as editoras brasileiras buscam alternativas.
Pioneira nacional: a Livraria Cultura, de Fábio Herz, foi uma das primeiras a apostar nas vendas online no País.
A Gato Sabido, por exemplo, abriu a Xeriph, uma distribuidora de e-books de pequenas e médias editoras. Rocco, Record, Sextante, L&PM, Planeta e Objetiva, seis das maiores editoras do Brasil, formaram a DLD (Distribuidora de Livros Digitais). Atlas, Saraiva, Gen e Grupo A Educação, que atuam com livros técnicos, celebraram uma aliança chamada Minha Biblioteca, na qual as universidades podem oferecer aos seus estudantes acesso a parte do acervo das editoras por meio de uma tarifa mensal. Pousada, da Saraiva, e Herz, da Cultura, ambos pioneiros na venda de livros pela internet, não revelam seus planos, mas incluíram a vinda da Amazon no horizonte estratégico deste ano. Apesar dessa dificuldade de negociar com as editoras, a Amazon estreará no Brasil em um momento em que a B2W, líder do setor, passa por um mau momento.
Dona do Submarino, Americanas.com e Shoptime, o seu faturamento está praticamente encalhado há quatros anos. Em 2008, faturava R$ 4,4 bilhões. Em 2011, foram R$ 4,7 bilhões. A rival Nova Pontocom, que inclui Ponto Frio, Casas Bahia e Extra, está batendo em seus calcanhares. No ano passado, teve receitas de R$ 3,5 bilhões. Há quatro anos, as vendas chegavam a apenas R$ 270 milhões. Não bastasse isso, a B2W tem enfrentado sérios problemas logísticos, o que tem ocasionado atrasos nas entregas. Em março, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon-SP) pediu a suspensão das atividades de três sites da empresa em razão do enorme volume de reclamações registradas. A companhia recorreu e conseguiu impedir a paralisação das operações.
Saraiva: rede comandada por Pousada estaria retardando entrada da Amazon no País. Ele nega.
“A entrada de novos players nos força a fazer diferente e continuar nossa busca contínua para satisfazer nossos clientes”, afirmou a B2W em nota. A Amazon tem ainda um último – e importante – problema para resolver, antes de seu desembarque no Brasil. É que o endereço eletrônico www.amazon.com.br pertence à Amazon Corporation, uma companhia de tecnologia brasileira de Belém do Pará. O dono da empresa, Fábio Carvalho, assegura que o nome é uma homenagem ao rio que corta seu Estado. Amazon e Amazon Corporation disputam na Justiça, desde 2006, o registro feito no dia 27 de setembro de 1995, dois meses depois de Bezos vender seu primeiro livro pela internet. Esse é o tipo de problema que Bezos não deverá enfrentar quando fincar sua bandeira na Lua.
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Amazon está chegando ao Brasil. E não vai vender só livros
A Amazon está aportando no Brasil. A maior varejista eletrônica do mundo deve iniciar sua operação por aqui no fim deste ano ou no início de 2012. Para isso, já negocia com editoras brasileiras a conversão, em grande escala, de títulos nacionais em e-books, além de vender por aqui seu leitor de livros digitais, o Kindle. "Estamos em contato com o emissário da Amazon. E ele está conversando com várias editoras locais", revela Sérgio Machado, presidente da Record, uma das maiores empresas do setor editorial no país.
Há três meses, o interlocutor com as editoras locais é o peruano Pedro Huerta, que trabalhou na prestigiosa editora americana Randon House. Ele conduz negociações a partir de Nova York e Londres. É evidente, porém, que a Amazon deve chegar ao país para empreender uma grande, ou melhor, gigantesca operação de e-commerce, que deve mexer com a vida de eventuais parceiros, concorrentes e consumidores. Faz todo o sentido.
O setor de e-commerce no Brasil passa por uma fase positiva. Neste ano, deve faturar ao menos 20 bilhões de reais, segundo previsão da empresa de monitoramento de comércio eletrônico E-bit. É um crescimento de 35% em relação a 2010.Mas a Amazon não vive só de livros. Ao contrário. No ano passado, suas vendas nesse segmento (reforçadas por discos, consoles de games, software e downloads) foram responsáveis por menos da metade do faturamento de 34 bilhões de dólares da empresa – que atualmente vende itens tão diversos quanto acessórios automotivos e ervas para gatos. A companhia americana confirma que tem "planos para o Brasil", mas guarda segredo sobre eles.
Empresa gigante
"A Amazon é uma empresa muito grande. Por isso, é improvável que venha para o Brasil só para vender livros", diz Carlos Affonso Souza, vice-coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "O fator mais positivo é que sua chegada estimulará o setor de comércio eletrônico e funcionará como uma espécie de chancela, um reconhecimento de que o e-commerce brasileiro é maduro e promissor." Souza lembra que o interesse da Amazon no Brasil é antigo. Em 2005, a empresa tentou na Justiça tomar controle do domínio amazon.com.br, que pertence a uma empresa brasileira de soluções de TI chamada Amazon Corporation. Não obteve, contudo, um veredicto a seu favor.
O retrospecto de atuação da Amazon em outros mercados fornece mais um indício de que a empresa deve chegar ao Brasil para vender de tudo um pouco. A companhia nasceu em 1995, nos Estados Unidos. De lá, e desde então, expandiu sua atuação a outros países. Grã-Bretanha e Alemanha, por exemplo, ganharam operações locais já em 1998. França e China, em 2000. Canadá, Japão e Itália também estão na lista de nações que contam com escritórios locais da companhia.
Nesses mercados, a empresa aliou a oferta de um vasto número de livros em idioma local à venda do mix de produtos que a sustenta: computadores, material de escritório, casa e jardim, produtos de saúde e beleza, brinquedos, roupas e bugigangas, além da prestação de serviços, como o armazenamento de dados de grandes empresas. Nem todos os itens, contudo, saem de seus estoques. A estratégia tem sido recorrer a fornecedores locais, que usam a Amazon como uma vitrine, a partir de dois acordos. Em um deles, o parceiro usa a rede de distribuição da gigante do varejo para fazer seu produto chegar às mãos do consumidor. No outro, ele mesmo faz a entrega. Nos dois casos, recebe uma comissão da Amazon.
A logística de distribuição de produtos no Brasil é o "x" da questão acerca da entrada da companhia no país. Na China, por exemplo, a empresa americana iniciou suas operações construíndo uma rede de distribuição própria. Quatro anos depois, porém adquiriu por 75 milhões de dólares a chinesa Joyo, especializada no assunto. "A Amazon deve erguer sua própria logística no Brasil, mas não podemos descartar a possibilidade de ela adquirir um grande player nacional, que já tenha o seu modelo montado", diz Alexandre Umberti, diretor de marketing e produtos da E-bit. Umberti aposta ainda que o consumidor sera o principal beneficiado, uma vez que a empresa americana colocará em solo brasileiro seu know-how em áreas como atendimento ao cliente.
O certo é que o dia em que a companhia americana colocar os pés no país algo vai mudar na vida dos atuais protagonistas do e-commerce local. Um deles é a B2W, que controla os serviços Submarino, Americanas.com, Ingresso.com e Shoptime, detentor de um faturamento de 4 bilhões de reais, em números de 2010. Procurada pela reportagem de VEJA para comentar a aproximação da Amazon do mercado brasileiro, o grupo preferiu manter-se em silêncio. Posição mais clara em relação ao seu negócio tem a Câmara Brasileira do Livro, entidade que representa interesses de editoras, livrarias e distribuidores. "A chegada da Amazon no país indicará um caminho inevitável e sem volta: ela terá de se expandir para outros negócios", diz Karine Pansa, presidente da CBL.
(Com reportagem de Paula Reverbel)
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